sexta-feira, 23 de novembro de 2007

. Certas coisas .

Algumas coisas fazem a vida valer a pena,
Outras deixam ela extremamente monótona, um tédio.
Viver vai além do ver, creio que melhor é
Sentir a vida de maneira profunda e irremediável.
Pessoas que não sabem sentir a vida, são monótonas,
mas a partir do momento em que essas pessoas não te permitem ver a vida
Tudo passa a ser um tédio.
Elas enchem seu mundo de nada,
Te afogam em suas próprias loucuras,
Te arrastam para junto de seus sentimentos egoístas,
E um calabouço é construído, você está preso nele de maneira tal
Que você deseja cair no esquecimento profundo,
Ser paz.
Sendo paz, não se vê tudo como antes
A liberdade agora dá mais vermelhos...
Tem cheiro de azul, cor de criança, gosto de vento...
E só existe você, mais ninguém
Reaprendendo a ver, ouvir e mais ainda,
Sentir a vida de maneira densa e insuperável.


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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Prelúdio Verbal

Nos dias em que as primeiras palavras surgem, vêm com elas a pergunta chave, do que vai ser ao crescer.
Quando então é chegada hora de decidir e é certo que a vida vai mudar, surge um grande amor e faz realmente tudo mudar. Mas não como esperado.
Depois de algum tempo vem a pergunta: "E então, quando vai casar?"
E a resposta sai que a hora vai chegar, quando tudo estiver bem estruturado.
Mesmo assim não param de perguntar sempre a mesma coisa.
Até quem não tem alguém especial sofre com isso.
Faz parte da vida, faz parte do ciclo.
Fazer o quê? É melhor aceitar.
Chega formatura. Dia feliz, de positivismo e vibração.
Com emprego garantido, vem o tal do casamento e junto no pacote vem a nova pergunta do ciclo. (Não é difícil de prever). Quando nascem os filhos?
Eis que surge o rebento!
E o que vai ser dele? Pais em angústia e preocupação.
E aí tudo volta ao início.
Nasce, cresce, reproduz, envelhece e morre.
E é assim que se vê que uma coisa sempre leva a outra.
Tudo junto ou separado, para mostrar a realidade.
O ciclo de onde partimos e para onde vamos, este, o da vida.

Viva o Ciclo!



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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Natal

O Célio do blog, Saindo da Zona de conforto, me convidou para um MEME diferente e cristão. Não tem nada haver com memórias e nem brincadeiras, mas é um assunto sério e gostoso de fazer, pois realizar coisas boas a outras pessoas faz bem à alma. Vou colocar aqui o texto que ele postou no blog dele pra vcs entenderem:

Que tal fazer algo diferente nesse Natal?Ir numa agência dos Correios e pegar uma dentre as milhões de cartinhas de crianças carentes e ser o Papai (ou Mamãe) Noel delas? Fui informado de que tem cada pedido inacreditável. Tem criança pedindo panetone, blusa de frio para a avó…. dentre outras coisas. É só pegar a carta e entregar o presente numa agencia dos correios até o dia 20 de Dezembro. O próprio Correios se encarrega de fazer a entrega.

Vamo lá então?? Mexendo as pernoquinhas da cadeira e indo até uma agência que eu sei que tem um monte por perto da sua casa!

sábado, 10 de novembro de 2007

. Carta a um amigo (partilhando a dor).


Sei o quanto é dura a perda de um pai, estou junto com você nessa dor.
Sei também que guardamos o melhor de nossos pais, todos os dias e quando eles se vão podemos ver em nós, todos os dias um pouco do que eles representaram para as nossas vidas e assim, podemos ver todos os dias eles em nossos atos.
Saudade, fica para sempre, essa não muda.
(...) lembro também do amor que tem por eles e esse amor, é maior que a saudade, então ela se mescla, de tal forma, que a saudade vira amor e mais amor e todas as vezes que sentimos a saudade, é como se um filme passasse em nossa frente, com todas as cenas mais pitorescas... os choros, as quedas, as risadas, as conquistas, os ensinamentos, as reclamações, as reconciliações... e o amor fosse então saudade e a saudade trasforma-se em unicamente amor... tudo isto passa como um filme bom, mesmo que a saudade não passe, ela vira uma espécie de sala de cinema, na qual nós somos tanto espectadores, como autores, como atores... Estamos lá, fizemos parte daquilo, mas agora só nos resta assistir.
Creio que seu pai viu feliz seus dias e viu com felicidade crescer e colheu aquilo que plantou em você, eu sei, seus amigos sabem que ele plantou alguém maravilhoso para nós, assim, por você, vemos o quanto ele era especial.

" e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." (Mt 28)

Foi isso que Cristo disse quando foi para os céus, Ele está perto de nós Valtinho, nas aflições, nas alegrias, está aí com você agora... Cuidando de ti.
Cristo, filho de Deus, Luz que esteve entre nós, desejo que Ele seja contigo neste momento e em tua vida, e que sane, cuide, trate dessa ferida que vai doer um tiquinho durante um tempo e então, depois se transformará nessa saudade que descrevi aí.
Que a Luz e o consolo de Cristo, de Deus o Pai e do Santo Espirito sejam sobre a tua vida e de teus familiares.
Paz em seus corações.

Orando pela vida de vocês,
Sua amiga,

Amanda Oliveira



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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

. Esquadros .

"Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca,
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome nos meninos que têm fome


Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela(quem é ela, quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadradoRemoto controle

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Transito entre dois lados de um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo, me mostro
Eu canto para quem?

Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço?
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado"

(Adriana Calcanhoto)

domingo, 28 de outubro de 2007

Estrelas que riem

"Quando olhares o céu de noite, porque habitarei uma delas, porque numa delas estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem rir!"

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

um mundo feito de aço

Vendo algumas fotografias e frases que seguiam junto delas,li uma algo muito interessante:

"Para mim as metalúrgicas são deuses poderosos, que comandam a sinistra produção de metal que domina o mundo. Nelas, tudo é violento, desproporcional, trágico. O metalúrgico sabe que trabalha na fronteira da morte, entre rios de metal escaldante e frente às caldeiras do inferno. Ele entende que o mundo é controlado pelo aço."

Sebastião Salgado

Acredito que, como o autor da frase, aprendi a ver o mundo fromando-se assim, através de muros feitos de aço e concreto.E esses muros se arraigaram no coração do homem.
Se o amor de muitos esfriaria, essa é a geração em que isso ocorre com maior plenitude, sente-se isso, respira-se isso, nos jornais, ruas, nas casas.
Metais... interessante o valor que atribuimos a eles...
No livro "A Utopia"(literalmente o não-lugar de nenhum lugar), o humanista e jurista inglês Tomás Morus (1478-1535), descreve o valor dos metais preciosos. Na sociedade prejetada em seu livro o ouro serve para construir as coisas mais vis existentes, as pedras preciosas enfeitam as crianças, que logo querem entregá-las a outras crianças por terem se tornado adultos.A Bíblia mostra o céu com ruas de ouro e o mar feito todinho de cristal.Lá não importa o quanto você tem e sim quem você foi e em que creu.
Metais, um mundo feito de metais que sustentam a ganância, a maldade, por eles o mundo gira e o mundo de alguns para de girar por causa deles.
Dinheiro... papel que compra metal, que tem sustentado um fé morta, desertora e falsa. Uma fé que busca bens, que de nada valem quando se observa da perspectiva do amor.Uma fé que olha para o Salvador como um banqueiro e que se vê como "filho do rei" quando é a vida aborratada de "bençãos" está em jogo, e que esquece que o primogênito entre todos, o Cristo, se fez o mais sofredor e pobre entre todos os homens, homem de dores que soube sim o que era padecer.Que fé é essa que enche templos, que ridiculariza o cristianismo da cruz, do abrir mão,do dar em lugar de receber, do estender a mão, do servir, do amar? Fé que não sabe amar, apenas visa lucros.
Abro mão dessa fé que usa os outros para seus próprios interesses, tentam barganhar com Deus, usando as próprias escrituras para isso (embora isso não seja novidade porque Jesus Cristo foi tentado no deserto da mesma forma). Conhecem a verdade e distorcem ela. Creio que a estes restará a frase - "Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim".
Abro mão dessa fé mediocre que encobre quem Deus de fato é, e o que Ele fez por nós.
Em nome da minha FÉ digo:
Deus é amor.
Veio nos salvar.
Salvação, preço pago sem nenhum metal, mas com um liquido precioso - SANGUE.
Preço que eu nunca poderia pagar, nem sei o quanto vale... ou sei , para mim vale a minha vida e a de muitos outros a quem eu possa mostrar o que realmente importa, algo de importante pelo que se possa viver e também morrer - Deus.
E o legado mais precioso que ele deixou conosco -IR, falar dEle. Só.
Talvez assim eu e muitos outros que pensam como eu, possam esquentar um pouco o amor dessa geração.
Fazer com que corações de aço se transformem em corações vivos, cheios de FÉ, esperança e novamente amor, sendo o maior destes o AMOR.



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quarta-feira, 18 de julho de 2007



- Amanhã vamos à praia!!


Era dia de festa quando ele nos dizia isso, tudo já estava pronto na mesma noite...

Tudo para uma criança significa: Baldinho, pá, vasilhinhas em vários formatos (o meu preferido era o de estrelinha do mar), bola, boneca e milhares de coisas que vão ser carregadas pelos adultos (adultos adoram carregar essas coisas!!).

Mas de manhã... dia perdido... todos os planos de rolar na areia frustrados por uma imensa nuvem cinza que pairava sobre as nossas cabeças... céu fechado e chuva prestes a cair. Carinhas de desconsolo, sem alento para as pobres perninhas frenéticas, doidas por uma corrida "até ali ó!" e voltar correndo na praia, lugar enormezão para elas!

Mas aí, ele pronunciava as palavras mágicas para as duas garotinhas desconsoladas:


- Vamos, vou dar o sol para vocês!! Ali na frente tem sol!!


Então, mesmo sem enxergar a mínima possibilidade de sol, apanhavamos o que cabia em nossas mãos pequenininhas, eu corria para o braço dele, ele me colocava no carro e iamos ao encontro do sol. Depois de algum tempo, estavamos lá, naquele canto de Deus! Com um monte de ondas, piscininhas dos sonhos cavadas por mãos, castelinhos para princesas feitos de areinha e ele, o sol bem grande lá em cima. Olhava para o meu pai e tinha a certeza de que ele era mágico, ele me dava o sol mesmo em dias nublados, como ele fazia aquilo? Por isso acho que amo tanto o mar. Então, em dias tristes, lembro do sol que sempre aparece, basta corrermos atrás e se não conseguimos enxergar possibilidades, Alguém nos dará o sol...


.Saudades pai.



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sexta-feira, 6 de julho de 2007

Livros

Ganhei um livro de presente do meu amigo.
Não há coisa que eu mais goste que ler.
Ler é uma compulsão, se começo, é difícil parar, só se o livro me irrita.
Se isso acontece, não falo mal dele, pode ser que outro goste, apenas paro, tenho pena do livro. As vezes torno a ler, mas por pena de mim, freio.
Mas este livro, é diferente. Não o quero rápido como os outros, também não quero abandoná-lo.
Prefiro guardar, me dar as letras em doses homeopáticas.
Lendo assim o livro me fara sentir bem em diversas partes de diferentes dias.
Para não acabar, para demorar, para gravar.
É como se fosse um chocolate raro, que come-se bem devagar, não a caixa toda, mas um a cada dia. E depois, nada de beber água em cima, o gosto vai todo embora.
As pessoas são como livros, sendo estes bem melhores, claro. Vou explicar.
Não podemos falar de alguém sem ao menos lermos seu resumo, mas só lendo o resumo fica difícil conhecer, então começamos o primeiro capítulo, mas a diferença está exatamente aí.
Se não gostamos do início do livro, podemos fechá-lo e guardar.
As pessoas não, as pessoas não só são conhecidas, ou melhor, lidas, mas também lêem.
Se a dedicatória de uma pessoa diz - " Ao verme que primeiro roeu as carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias postumas" * - Talvez jamais queiramos conhece-la, ela parece feia e sem nenhum valor. Mas se há esforço, acaba-se vendo quanta coisa boa aqueles capítulos nos reservam, então, acabamos com ciúme de emprestar a mais alguém aquela preciosidade.
Há capas bonitas que nos reservam algo sem sentido, então, o melhor é fazer o mesmo que aos livros chatos, fechar e não tentar mais. Não falar mal já é um pouco mais difícil, mas, como o coração é cristão, faz-se o possível.
Mas o cuidado é o mesmo, tanto com as pessoas, como com os livros.
Pessoas são livros a serem conhecidos.
* Assis, Machado - Memórias Póstumas de Brás cubas



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terça-feira, 3 de julho de 2007

Almas


Mãos na cabeça,Pele e alma mortas, secas, cansadas de sol.
O que fazer, para onde ir?
Não sabe mais.
Dois rebentos, quase linhas, riscadas na imensidão da cidade, dos sinais.
Continuarão sendo pequenos riscos de nada quando, já não forem pequenos?
Pedir... Não, ela já não tem mais força.
As pequenas linhas dançam ao som de músicas distantes.
Suas vidas não são, definitivamente, iguais aquelas músicas.
Mesmo assim conseguem rir.
Sorrir na face cruenta da vida.
Brincam, não precisam saber do que os aguarda no futuro, são ainda pequenos.
Deus o sabe.
E o amor?
Não é possível enxergá-lo.
Assim são as ruas do Recife.



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terça-feira, 19 de junho de 2007

. Exigente .

Acho graça nas coisas mais sem graça da vida!
Acho graça em velho sorrindo e conversando,
Acho graça em menino fazendo bezouro com a boca,
Acho graça em flor de jambo espalhada no chão quando é Janeiro,
Acho graça em cheiro de chuva,
Acho graça em andar descalça o dia inteiro,
Acho graça em olhar as cores que o céu pinta,
religiosamente,
todos os dias,
E acho graça em cerveja preta.
Entre outras coisas!
Para mim elas têm muita graça, são graciosas.
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segunda-feira, 18 de junho de 2007

. Vi , ver .

As vezes, sinto tanto a vida, que chega a doer.
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quinta-feira, 14 de junho de 2007

. Girando... .

Cheguei cansada...Fui olhar pela janela, que apesar de cercada por prédios e casas, mostra coisas bonitas, quando em vez.Foi aí que eu vi o que eu já fui, duas crianças que me lembraram muito minha irmã e eu."Girar, girar, girar e depois cair!" falou um delas e as duas sorriram caindo no chão, tontinhas!Os adultos nem precisam disso para ficar tontinhos, basta a vida girar, girar e girar...Depois sentaram e ficaram olhando a tarde passar, a tarde passando, sem pressa. Sorriam.As crianças são felizes por que são, não precisam de motivos como nós.Acho que Deus enche tanto elas de felicidade que elas simplesmente enchem nossos olhos de Deus.



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domingo, 27 de maio de 2007

. Ao contrário .

Há muito tempo não me via assim. Aliás, há muito tempo não me olhava nele, não me via em mim. Então fiquei como quem olha a medusa, petrificada, paralizada, por ver a mim mesma. O quanto sou e o quanto deixei de ser. Penso, as vezes, que deixei mais do que sou. Ontem passou e formou sulcos, e estes deixam seu rastro na divisão de nossas histórias. Algumas vezes eles tendem a fechar. Senti-me estranha a olhar-me naquilo que me reflete ao contrário. Que me mostra que muitas vezes sou como pensava quando pequena. Quando pequena eu pensava que as pessoas se vestiam de pele, e que à noite, quando tudo estava só, elas se despiam daquilo e seriam verdade.Quando cresci descobri que isso era verdade. Até para mim. Mas como se proteger? Só vestindo a roupa de pele, que na maior parte das vezes me desagrada, mas não todo tempo, não com todos. Alguns conseguem enxergar através dela. Não mais petrificada então, me permito ser como todos são à noite.



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