domingo, 27 de maio de 2007

. Ao contrário .

Há muito tempo não me via assim. Aliás, há muito tempo não me olhava nele, não me via em mim. Então fiquei como quem olha a medusa, petrificada, paralizada, por ver a mim mesma. O quanto sou e o quanto deixei de ser. Penso, as vezes, que deixei mais do que sou. Ontem passou e formou sulcos, e estes deixam seu rastro na divisão de nossas histórias. Algumas vezes eles tendem a fechar. Senti-me estranha a olhar-me naquilo que me reflete ao contrário. Que me mostra que muitas vezes sou como pensava quando pequena. Quando pequena eu pensava que as pessoas se vestiam de pele, e que à noite, quando tudo estava só, elas se despiam daquilo e seriam verdade.Quando cresci descobri que isso era verdade. Até para mim. Mas como se proteger? Só vestindo a roupa de pele, que na maior parte das vezes me desagrada, mas não todo tempo, não com todos. Alguns conseguem enxergar através dela. Não mais petrificada então, me permito ser como todos são à noite.



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